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Investimentos

A relação entre a taxa SELIC e o retorno dos investimentos em renda fixa

O leitor Roberto Pina Rizzo manda mais uma questão, que me dará oportunidade de desenvolver um pouco mais essa questão sobre a taxa SELIC. Vejamos:

Professor Money, aplicar em fundos DI é vantajoso quando a tendência da SELIC é de subir ou de descer? Por quê?

A resposta à questão do Roberto é aparentemente simples: quando a tendência é de alta da SELIC, os fundos DI vão render mais. E vice-versa. Mas as aparências muitas vezes enganam…

Sabemos que os fundos DI são mais adequados para aqueles investidores que querem guardar um fundo de emergência ou os recursos que pretendem usar no curto prazo. Mas não nos interessa aqui fazer considerações a respeito do tipo de investimento adequado a cada investidor, em função de sua aversão ao risco e horizonte de investimento. O que queremos é comparar o retorno dos fundos DI com o de outras alternativas de investimento, sem considerar o perfil do investidor.

A comparação mais direta que podemos fazer é com os fundos de renda fixa que investem em títulos prefixados ou atrelados à inflação. Para simplificar, vamos considerar apenas os prefixados. O mesmo raciocínio servirá para os fundos que investem em títulos indexados à inflação.

Uma primeira grande confusão, bastante comum entre os investidores, é confundir a taxa SELIC com as taxas prefixadas de prazos mais longos. A taxa SELIC é overnight. Ou seja, remunera os recursos de hoje para amanhã. Já os títulos com taxas prefixadas são remunerados por uma taxa já conhecida, e que vigorará até o vencimento daquele título. Vejamos um exemplo: hoje a SELIC está em 8,75% ao ano. Ou seja, títulos atrelados à SELIC vão render 1/252 de 8,75% a cada dia (consideramos que o ano tem 252 dias úteis). Quando a SELIC for aumentada para, por exemplo, 9,25% ao ano, o título passará a render imediatamente 1/252 de 9,25%. Consideremos agora um título prefixado com vencimento em um ano, e que esteja pagando uma taxa de 10,00% ao ano. Se você mantiver este título em sua carteira até o vencimento, ele vai render 10%, mesmo que a taxa SELIC suba ou caia no meio do caminho. A rentabilidade do título prefixado não depende da SELIC.

Bem, tendo isso claro, vamos agora adicionar um pouco de confusão. A taxa prefixada depende sim da taxa SELIC, mas de maneira indireta. A questão que se coloca é: como o mercado forma as taxas prefixadas. Ou seja, por que um título de um ano de prazo está pagando 10% ao ano, se a SELIC está em 8,75%?

Para entender isso, é preciso reconhecer que o mercado está o tempo todo tentando fazer isso que o leitor Roberto está perguntando: um título atrelado à SELIC vai render mais ou menos que um título prefixado? Para responder a esta questão, o mercado procura antecipar a possível trajetória da taxa SELIC até o vencimento do título prefixado. Se acha que a SELIC acumulada diariamente será menor, compra mais títulos prefixados. Se acha que será maior, vai mais para os títulos atrelados à SELIC. Neste jogo, atinge-se uma determinada taxa de equilíbrio, que é a taxa prefixada daquele prazo.

Assim, podemos dizer que a taxa de 10% ao ano do título prefixado de um ano é uma aproximação que o mercado está fazendo da trajetória da taxa SELIC até o vencimento do título. Note que estamos falando da SELIC média no período e não da taxa SELIC daqui a um ano. (O mercado cobra também um prêmio pelo risco de ficar prefixado durante um ano, mas não vamos complicar ainda mais as coisas por enquanto).

Bem, com esses conceitos bem firmes na mente, vamos ao que interessa: como afinal o mercado antecipa a trajetória futura da SELIC? É todo um jogo de expectativas: se o mercado entende que o Banco Central será duro no combate à inflação, aumentando bastante a taxa SELIC, as taxas prefixadas de prazos mais curtos sobem (embutindo uma SELIC mais alta), mas as de prazos mais longos caem, pois o mercado entende que a inflação será mais baixa no futuro, permitindo uma queda maior da taxa SELIC lá na frente. E vice-versa: se o mercado entende que o Banco Central será frouxo com a inflação, subindo pouco e tarde a SELIC, as taxas prefixadas de prazos mais curtos recuarão, mas as mais longas subirão, com receio de uma inflação mais alta lá na frente. Assim, as taxas prefixadas dependem indiretamente da SELIC.

Ainda não acabou. Para responder à questão do Roberto, é preciso entender como funcionam os fundos prefixados. Investir em um fundo é diferente de comprar um título prefixado. Ao comprar um título, se você segurar este título até o seu vencimento, ganhará aquela taxa prefixada contratada no momento da compra. 10% ao ano, por exemplo. Em um fundo, por força de lei, todos os títulos são “marcados a mercado” diariamente. Isso significa que o gestor do fundo considera que todos os títulos na carteira do fundo podem ser vendidos imediatamente e, portanto, contabiliza esses títulos pelo que valem hoje no mercado. Isso, para um título prefixado, significa que, se as taxas prefixadas subirem, o título hoje vale menos, e vice-versa. Não vou entrar aqui no mérito do porquê isso acontece, pois exigiria mais um longo raciocínio, que guardo para outro post. Para o nosso objetivo, basta guardar essa regra: se as taxas prefixadas sobem, o título perde valor, e vice-versa. Isso, em um fundo prefixado, pode ter efeitos devastadores, dependendo do prazo médio dos títulos do fundo: quanto mais longo o prazo, maior o impacto dos movimentos das taxas de juros, tanto para o bem quanto para o mal. Não que o mesmo não aconteça com os títulos prefixados. Se você tentar vender o seu título no mercado, ele também valerá menos se as taxas subirem.

Agora acho que já posso responder à questão do Roberto: saber se vale a pena ir para um fundo DI ou para um fundo prefixado passa pela avaliação de como o mercado reagirá aos próximos movimentos do Banco Central. Se o mercado achar que o Banco Central está sendo duro no combate à inflação, vale a pena ir para os prefixados. Se avaliar que está sendo frouxo, o melhor é ficar nos fundos DI. E note que isto vale também para os movimentos de corte da taxa SELIC: se o mercado encasquetar que o Banco Central está cortando a SELIC antes da hora, colocando em risco a inflação futura, é melhor ficar nos fundos DI, mesmo com uma tendência de queda da taxa SELIC.

– Mas Professor Money, como saber se o mercado está satisfeito ou não com a atuação do Banco Central?

Bem, aí é outra história. É preciso ler aquelas análises dos economistas nos jornais, normalmente muito mais chatas, por exemplo, do que a página de esportes ou de entretenimento. Ou, como costumo recomendar, o melhor mesmo é não preocupar-se com essas coisas, e escolher os investimentos de acordo com sua própria aversão ao risco e horizonte de investimento: para recursos de curto prazo, fundos DI, para recursos de médio prazo, fundos prefixados ou multimercados, para recursos de longo prazo, fundos de ações.

Crédito do thumbnail: Free Digital Photos by renjith krishnan.

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