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Investimentos

Bolsa x Renda Fixa: a eterna batalha

A renda variável é para o longo prazo. A renda fixa é para o curto prazo. Esta é uma verdade aceita universalmente no mundo dos investimentos. Menos no Brasil. Aqui, a renda fixa ainda reina absoluta. Reportagem publicada pela agência Estado (Renda fixa é mais rentável que a bolsa em 17 anos, diz FGV) e um post publicado aqui mesmo (Bolsa: um quadro pouco animador) mostram o óbvio: a renda fixa foi melhor que a renda variável desde o início do Plano Real. E por um motivo muito simples: o Plano Real trocou a maior inflação do mundo pela maior taxa de juros do mundo. E continuamos a ser, 17 anos depois, os campeões mundiais das taxas de juros.

No entanto, post do Blog do INI – Instituto Nacional dos Investidores (Ibovespa x Renda Fixa: corrigindo injustiças) traz uma abordagem alternativa, que merece sua atenção: estudos como os realizados pelo economista entrevistado pela agência Estado, ou por mim mesmo no post acima citado, têm um defeito grave: assumem que o investidor coloca o seu dinheiro na bolsa uma única vez, e aguarda 10 anos para resgatar. Nada mais equivocado: na verdade, o investidor consciente vai colocando dinheiro na bolsa periodicamente, pois não tem a pretensão de acertar o melhor momento para entrar. O autor do post, então, monta uma planilha que simula aplicações mensais na renda fixa e na renda variável, e compara os resultados. Uma abordagem bastante criativa, que resulta em um quadro um pouco mais favorável para a renda variável no período que vai de janeiro de 1998 a junho de 2011: 16,2% ao ano para a renda variável contra 15,2% ao ano na renda fixa, calculados pela taxa interna de retorno dos investimentos.

Mesmo assim, os mais críticos podem dizer: esta vitória da renda variável é muito magra, considerando o tamanho do risco envolvido. Vejamos:

Volatilidade da renda fixa: 1,6% ao ano

Volatilidade da renda variável: 31,4% ao ano

De fato, parece que a renda variável, mesmo ganhando da renda fixa, ganhou pouco para justificar a diferença de risco. Por isso, eu ainda prefiro olhar para o conceito, e não para o passado. O Brasil ainda está em processo de transição para ser uma economia decente. Chegaremos lá, se não jogarmos fora todo o esforço feito até agora. Portanto, teremos taxas de juros cada vez mais baixas no futuro, não sem antes passar por vários altos e baixos. E o que esperar da renda variável nesse contexto?

Para entender o meu ponto de vista, raciocine comigo: para obter capital para os seus negócios, as empresas têm, basicamente, duas fontes de recursos: dívidas e capital próprio. O custo da dívida são os juros a serem pagos aos credores (renda fixa) e o custo do capital são os dividendos a serem pagos aos acionistas (renda variável). Não há dúvida que os acionistas estão correndo mais risco do que os credores. Estes recebem o seu dinheiro de volta mesmo que a empresa não gere lucro (a não ser, claro, que a empresa quebre). Já os acionistas só vão receber os dividendos se a empresa gerar lucro depois do pagamento dos juros. Ou seja, os credores são os primeiros a receberem, e se sobrar, os acionistas recebem. Para assumir este risco, os acionistas vão querer uma remuneração maior do que a dos credores. É lógico, não? Se assim não fosse, os acionistas prefeririam ser credores, certo?

Agora imagine um mundo onde a perspectiva dos acionistas fosse pior que a dos credores. Todo mundo seria credor, correto? Neste mundo, não haveria capital próprio, somente dívidas. Imagine todas as empresas rodando os seus negócios com 100% do seu capital emprestado. Não dá, não é mesmo? Por isso, é preciso que a remuneração esperada dos acionistas seja maior que a remuneração esperada dos credores. E maior a ponto de compensar o risco assumido maior.

– Mas Professor Money, eu entendo esse raciocínio quando tratamos da empresa própria. Eu, se tivesse uma empresa, colocaria o meu dinheiro, e não tomaria emprestado nos bancos, pois as taxas de juros são escorchantes. Mas o que isso tem a ver com a bolsa?

Tudo a ver! Você, ao investir em uma empresa, espera que o retorno seja maior do que as taxas de juros “escorchantes” dos bancos. Se não esperasse isso, aplicaria o seu dinheiro em… renda fixa! Claro que o spread bancário distorce este raciocínio: você pode ter um negócio que rende mais do que o investimento em renda fixa, mas cujo retorno é menor do que as taxas de juros cobradas pelos bancos. Mas isso não invalida o raciocínio, uma vez que estamos comparando o retorno do investimento em sua empresa com o retorno de investimentos em renda fixa.

– Ok, mas ainda não consegui ver onde entra a bolsa aí.

O retorno da bolsa é o resultado da rentabilidade das várias empresas que a compõem. Se estas empresas estão aí, sobrevivendo, e dando retorno aos seus acionistas majoritários, certamente devem render mais do que a renda fixa no longo prazo. Se não, os acionistas majoritários venderiam as suas ações, e aplicariam na renda fixa.

Assim, a esperança de retorno da renda variável deve ser maior do que a esperança de retorno na renda fixa. Caso contrário, viveríamos todos de renda. É um pouco o que acontece no Brasil, onde a bolsa ainda é incipiente, ainda que muito maior do que no passado, e grande parte das pessoas têm os seus recursos em renda fixa. Não por outro motivo, a capacidade empreendedora do brasileiro é desafiada por dificuldades muito maiores do que as que enfrentam os empreendedores em países mais desenvolvidos, principalmente no que se refere ao levantamento do capital de risco necessário para os seus empreendimentos. Claro, a renda fixa paga bem mais! Isto, no entanto, está deixando de ser verdade, na medida em que as taxas de juros caem no Brasil. E vão cair mais nos próximos 10 anos, tornando ainda mais verdadeiro esse raciocínio.

Crédito do thumbnail: Free Digital Photos.

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3 Comentários

  1. Felipe disse:

    É muito importante ter a consciência que o que dita o melhor investimento não é a taxa de risco/retorno, e sim o perfil do investidor. A exposição ao risco da renda variável é quase uma “parada cardíaca” para o investidor mais conservador, tal como a constância dos rendimentos na Renda Fixa é um bisonho mundo para quem tem um perfil mais agressivo. Excelente postagem.

    Mais links sobre o assunto: UP Educação Financeira

    http://www.upeducacaofinanceira.com.br

  2. Cara impressionante. Eu estava querendo isso há muito. Tem facebook? . Valeu mesmo!

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