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Investimentos

Bolsa: lugar de patos?

O meu amigo Pina Rizzo, leitor assíduo deste blog, questiona duramente o investimento em ações. De acordo com sua avaliação, comprar ações é coisa de “patos”, que não teriam nenhuma influência sobre o destino dos seus investimentos. Em um negócio próprio, por outro lado, o investidor teria o controle sobre o seu próprio destino, fazendo deste um investimento mais seguro. Tenho algumas considerações a fazer sobre estes pontos.

A primeira é que, ao comprar ações, o investidor torna-se acionista da empresa. Isto acontece por definição, não há disputa sobre este ponto. Ao ser acionista, o investidor tem direito a uma parcela dos lucros proporcional à sua participação na empresa. Esta é a definição de sociedade. Portanto, o investidor é um sócio da empresa.

– Ah, mas que sócio é esse que não influencia os destinos da empresa, e que sequer pode entrar na sede da empresa?

É verdade que o acionista minoritário (aquele que não controla as decisões da empresa) não influencia diretamente os destinos da empresa. Mas isto não significa que não seja sócio e não participe dos resultados da empresa. Além disso, a direção de uma empresa de capital aberto é influenciada pelos preços de suas ações. Se os investidores não estão convencidos do brilhante futuro da empresa, vendem suas ações, provocando sua queda. Diante da queda dos preços de suas ações no mercado, grande parte das empresas toma providências para aumentar a sua rentabilidade. Esta é uma forma de influenciar os destinos da empresa. Outra forma de influenciar, que ocorre em empresas de capital disperso (quando não há um único acionista controlador), é ser um acionista minoritário atuante. Todos os acionistas que possuem ações ordinárias, mesmo que minoritários, podem votar nas assembléias da empresa escolhendo, por exemplo, o corpo dirigente. Essa é uma outra forma de influenciar os destinos da empresa.

– Mas por que ainda tenho essa sensação de ser um “pato” ao investir na bolsa?

A ligação entre os preços das ações e o desempenho das empresas pode parecer algumas vezes bastante tênue. Mesmo em mercados mais eficientes, onde a manipulação pura e simples é mais difícil, os preços das ações parecem seguir leis próprias, divorciadas da realidade das empresas que representam. Afinal, o que justifica que uma empresa perca ou ganhe 3%, 5% ou 10% de seu valor do dia para a noite, sem que absolutamente nada tenha acontecido de fato com a empresa? A resposta é simples: como em qualquer mercado, o preço dos ativos é controlado pela lei da oferta e demanda. O tempo inteiro, grandes e pequenos investidores estão refazendo as suas estimativas para o valor justo dos ativos que estão sendo negociados. Este processo tem algo de caótico no curto prazo, mas ao longo do tempo, os preços das ações convergem para algo que representa o real valor das empresas. Como diz Bill Miller, um famoso gestor norte-americano de ações, as empresas abrem seu capital não para captar dinheiro, que para isso existem os instrumentos de dívida. As empresas abrem seu capital para conhecer o humor dos investidores a respeito do seu desempenho. O preço das ações funcionaria assim como um termômetro do sucesso ou do fracasso de uma empresa. E é assim mesmo!

– Ah, mas como acreditar nisso se existem manipuladores que distorcem os preços das ações para ganhar dinheiro dos incautos?

Este é um ponto muito importante. Tocamos aqui na questão da eficiência dos mercados. Um mercado é tanto mais eficiente na medida em que consegue garantir aos seus participantes transparência sobre os preços, liquidez e regras justas, que tornem todos os investidores iguais. Nesse sentido, o mercado de ações é muito mais eficiente do que, por exemplo, o mercado de imóveis ou de carros usados. Aliás, os grandes mercados de ações ao redor do mundo (e a Bovespa é um deles) são, provavelmente, os mais eficientes mercados do mundo. A Bovespa, com giro diário na casa dos bilhões de reais, dificilmente poderia ser manipulada por um único investidor, por maior que fosse. Obviamente, os preços de ações de menor liquidez podem ser manipulados, mas por pouco tempo. Uma movimentação grande de preços chama a atenção de outros investidores ou até mesmo da CVM, que não raro estabelece inquéritos para investigar grandes oscilações de preços. Vale lembrar que, recentemente (vide post anterior), dois ex-executivos da Sadia foram condenados por insider-trading, o que significa que usaram informações privilegiadas para levar vantagem sobre outros investidores. Essa condenação é uma boa notícia para aqueles que acreditam que o mercado acionário deve ser o lugar onde os preços refletem os fundamentos das empresas.

Por fim, uma consideração: não existe capitalismo moderno sem bolsa. As grandes corporações precisam mobilizar quantidades gigantescas de capital para os seus investimentos. E só há duas formas de conseguir isso: abrindo o capital, ou tomando dinheiro emprestado. Tomar dinheiro emprestado tem um limite: ninguém consegue crescer somente na base do dinheiro emprestado. E abrir o capital significa procurar sócios que topem o risco do negócio. A bolsa serve para mitigar um desses riscos: o de não conseguir sair da sociedade. Na bolsa, os acionistas conseguem se desfazer de suas participações acionárias, tornando o processo de abertura de capital muito mais seguro para todos. A alternativa a isso, em países como o Brasil, onde o mercado de capitais é pouco desenvolvido, é o capitalismo de Estado: o governo financiando (via BNDES, por exemplo) o crescimento das empresas, sabe-se lá com que critérios. Eu, sinceramente, prefiro a bolsa.

Crédito do thumbnail: Free Digital Photos by njaj.

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2 Comentários

  1. Roberto Pina Rizzo disse:

    Veja bem, nunca falei que o negócio próprio é menos arriscado… O impacto do potencial tombo depende do volume investido, da riqueza do planejamento e outros fatores.
    Claro que se eu colocar tudo em um negócio mal planejado posso me arruinar rapidamente.
    Mas eu queria propor uma experiência: pegue 200 dólares, coloque 100 em um fundo de ações de sua preferência e com os outros 100 compre sorvetes e vá vendar na praia no verão, guardando o dinheiro decorrente das vendas em um fundo de renda fixa conservador. Espere 5 anos e depois me diga quanto há em cada alternativa.
    Meu palpite: no fundo de renda fixa teremos uns 400 dólares, mais ou menos corrigidos pela inflação (só para isto a parte do fundo de renda fixa serviu). No fundo de ações… Só Deus sabe. Com sorte, uns 200 dólares…

    • Dr. Money disse:

      Exatamente, o seu comentário corrobora o meu ponto: o negócio próprio é mais arriscado, e portanto deve oferecer um potencial de retorno maior. No seu exemplo, se você conseguir vender os sorvetes com sucesso, certamente terá mais do que o investimento em um fundo de ações. O outro lado da moeda é: se você não conseguir vender os seus sorvetes (por qualquer motivo), provavelmente perderá mais do que no fundo de ações. Veja, não há disputa entre as duas modalidades, apenas são adequados a diferentes tipos de investidores.

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