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"Como montar o seu Plano de Investimentos"!

 

Educação Financeira

Aposta macabra

Em relação ao meu post anterior (A mágica dos juros compostos), o leitor Roberto pergunta: é melhor administrar o próprio dinheiro da aposentadoria, ou confiá-lo a um fundo de previdência, com suas altas taxas de carregamento e administração?

Antes de mais nada, vamos entender como funcionam estes fundos (PGBL, VGBL, FAPI). Não é meu objetivo, por ora, explicar o que significa esta sopa de letrinhas. Interessa aqui apenas descrever a sua dinâmica.

A poupança para a aposentadoria tem sempre duas fases: a fase em que se poupa o dinheiro (chamada fase de acumulação), e a fase em que se gasta o dinheiro (chamada fase de benefício). Separar estas duas fases é essencial para entender as decisões a serem tomadas.

A fase de acumulação funciona como qualquer investimento: você pode investir através de um fundo de investimento, comprar títulos do governo, ações no mercado, abrir um negócio… enfim, o que você achar legal para poupar o montante necessário para a sua aposentadoria. Dentre essas alternativas, os fundos de previdência oferecem a vantagem fiscal: você deixa de pagar 27,5% de imposto de renda na fonte para pagar 10% de imposto de renda no resgate (em um outro post explico isso melhor). Claro que você tem um sócio nessa vantagem, o banco. Mas continua sendo uma vantagem.

No dia da sua aposentadoria, você tem uma decisão a tomar: continuar administrando os seus recursos e passar a viver deles, ou comprar uma renda vitalícia de alguma seguradora. Os PGBLs/VGBLs já oferecem uma renda vitalícia se você desejar. Mas você pode portar os recursos acumulados para outro plano que ofereça condições melhores. De qualquer forma, a grande decisão não muda: renda vitalícia ou viver dos recursos acumulados. A alternativa que os PGBLs/VGBLs oferecem de resgatar os recursos (tudo de uma vez ou em parcelas) significa que você vai ter que administrar os seus recursos na fase de benefício.

Vejamos um exemplo: digamos que você tenha acumulado R$ 1.000.000 na data da aposentadoria, aos 60 anos de idade. Com esse dinheiro, você consegue comprar uma renda vitalícia de aproximadamente R$ 5.000 por mês, reajustada pela inflação. Por trás desse número estão duas premissas: a taxa de reaplicação do seu dinheiro (usei 3% ao ano acima da inflação) e o tempo de sobrevida (usei 22 anos).

Trata-se de uma aposta: se você acha que vai viver mais do que 82 anos, é melhor comprar uma renda vitalícia. Caso contrário, talvez valha a pena arriscar viver dos recursos acumulados. Claro, considerando que você obtenha os mesmos 3% de renda anual para o seu dinheiro. Note que esta decisão não tem nada a ver com o período de acumulação, a não ser o montante que você conseguiu juntar.

Grande parte das pessoas não gosta desse tipo de discussão. Acham mórbido ficar fazendo aposta sobre a data da própria morte. Compreensível. Por isso, preferem a renda vitalícia: entregam todas as suas economias nas mãos de uma seguradora, e esperam receber uma renda até a morte. Como acontece com o INSS.

No entanto, outra alternativa a ser considerada é não comprar a renda vitalícia. Você está com R$ 1.000.000 na mão, e tem que viver com isso até a sua morte. Talvez você obtenha uma taxa maior que os 3% ao ano acima da inflação. Ou viva menos que 22 anos. Em qualquer desses casos, vai sobrar dinheiro no fim da sua vida. Se, no entanto, o retorno dos investimentos for menor ou você viver mais, vai sobrar vida no fim do seu dinheiro. Aí, é bom ter algum filho bem colocado na vida e disposto a te ajudar…

Uma última observação: nada impede (é até recomendável) que você mantenha uma atividade econômica durante a sua aposentadoria. Mas depender somente disso para compor a sua renda na aposentadoria, considerando que as condições de saúde deterioram-se com o tempo (desculpem-me lembrar obviedades inconvenientes, mas é meu dever), pode ser uma decisão pouco prudente.

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7 Comentários

  1. henrique disse:

    BOM DIA DR MONEY..SOU GRANDE FA DE SUA PAGINA!!!

    POR FAVOR TIRE UMA DUVIDA CRUEL..TENHO 150,000,00 EM NTN PRINCIPAL 2035 QUE COLOQUEI PARA APOSENTADORIA..SO QUE 02 MESES ATRAS PERDI MEU EMPREGO..FIQUEI PENSANDO SE NAO SERIA MELHOR EU TRANSFERIR ESTE DINHEIRO PARA AS NTN-B QUE PAGAM SEMESTRALMENTE SE OCORROSSE UMA NECESSIDADE DE RETIRAR OS CUPONS..SENAO IRIA REENVESTIMENTO NORMALMENTE..O QUE VC ACHA? MUITO OBRIGADO E AGUARDO RETORNO ABS

    • drmoney disse:

      Henrique, obrigado por acompanhar o blog. A rigor, tanto faz. Você pode vender parcelas da sua NTN-B se precisar do dinheiro, não precisa necessariamente ter um cupom semestral. O cupom só serve para diminuir o prazo médio do título (a duration, em linguagem técnica), e diminuir o seu risco de crédito (você recebe os juros do papel antecipadamente, enquanto na NTN principal você vai receber só lá na frente.
      Agora, se você puder aguentar sem mexer no dinheiro de sua aposentadoria, tanto melhor. Corte gastos desnecessários, e até alguns necessários, enquanto você passa por essa fase. Depois da crise, você vai ver que aqueles gastos não eram assim tão necessários, e alguns você não vai nem retomar.
      Abraço e boa sorte!

  2. Roberto Pina Rizzo disse:

    A acumulação de ações para a aposentadoria também envolve, a partir de um certo momento, ir "comendo o principal" para conseguir a renda… Imagine se durante isto houver uma queda de uns 50%, como ocorreu no ano passado… Tudo bem que ao cabo de 20 anos pode ter rendido mais… Todavia, para um velhinho, é emoção que deveria ser evitada…

    • Dr. Money disse:

      Sem dúvida! Por isso, é recomendável diminuir a alocação em renda variável na medida em que se avança de idade. Não porque seja muita emoção, mas porque uma pessoa mais idosa não se pode dar ao luxo de perder 50% de seu capital, mesmo que vá recuperar nos próximos anos. Este investidor pode simplesmente não ter este tempo.

  3. Roberto Pina Rizzo disse:

    Interessante este negócio de comprar uma renda vitalícia… Mas vou tentar primeiro fechar negócio com um filho ou neto… Ele me sustenta a partir de um certo momento em troca do porcão… E fica com a herança em lugar da mesma morrer no banco… Parece um bom negócio…

    • Dr. Money disse:

      Sem dúvida é uma alternativa legítima. Mas note que a natureza do problema não muda: você acaba em determinado momento com um porcão (gostei do termo, vou adotá-lo) e precisa aplicá-lo de alguma forma, caso decida não comprar renda vitalícia. Pode comprar títulos públicos, ações, imóveis, abrir (ou dar continuidade a) um negócio, ou dar o porcão na mão do neto. Qualquer que seja a alternativa escolhida, o porcão deve prover um certo retorno para que você consiga viver durante o período de benefício. Há aplicações mais e menos arriscadas, ao gosto do freguês. Se o seu neto tiver a cabeça no lugar e tino empresarial ou financeiro, você pode ter uma aposentadoria tranquila. Caso contrário…

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