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Investimentos

O milagre do Rio Hudson e seus investimentos

Atenção! Alerta de spoiler!  Se você ainda não assistiu e pretende assistir ao filme “Sully, o milagre do Rio Hudson”, não leia este artigo.

Em 15/01/2009, um choque com aves logo após a decolagem fez com que o Airbus A320 pilotado por Chesley Sullenberger perdesse os seus dois motores. Com 155 pessoas a bordo (entre passageiros e tripulantes), o comandante Sully (como era conhecido) teve que tomar uma decisão em poucos segundos: onde realizar o pouso de emergência. As opções mais óbvias eram a volta ao aeroporto La Guardia, de onde havia decolado, e o pequeno aeroporto de Teterboro, na vizinha New Jersey.

Nem um, nem outro. Sully avaliou a situação naquele momento, e decidiu pousar no Rio Hudson. Tratava-se de uma decisão arriscada, pois um pouso em água raramente é feita sem consequências, que podem ser bastante sérias. “Milagrosamente”, não houve nenhuma morte. Todos foram salvos.

Clint Eastwood dirigiu um filme a respeito, cujo título em português é “Sully, o milagre do Rio Hudson”. O foco deste filme (muito bom, por sinal) são as investigações pós-acidente. Teria o comandante Sully tomado a melhor decisão? Teria ele colocado a vida dos passageiros em risco desnecessariamente? Não poderia ele ter pousado em segurança em um dos dois aeroportos, que estavam, afinal, tão próximos?

Os investigadores, para apoiarem suas conclusões, lançaram mão de simulações. Primeiro, simulações feitas inteiramente por computadores. Depois, simulações levadas a cabo por pilotos. Em todas, mostrou-se ser possível o pouso em qualquer dos dois aeroportos em segurança.

As simulações com pilotos é a parte mais interessante do filme, pois ocorre ao vivo, durante a audiência com os investigadores, e na presença de Sully e de seu co-piloto. Após o término das simulações, quando a causa de Sully parece perdida (estava demonstrado que ele havia colocado em risco desnecessário a vida dos passageiros e tripulantes), o piloto com mais de 40 anos de experiência expõe o seu ponto de vista. E é este ponto de vista que nos interessa neste artigo.

Sully começa dizendo que, mesmo na simulação com os pilotos, faltou o fator humano. Segundo ele, os pilotos agiram como computadores, sabendo exatamente o que deveriam fazer após o choque com as aves. E, de fato, um dos investigadores informa que os pilotos da simulação haviam ensaiado nada menos do que 17 vezes antes daquela simulação ao vivo. Sully continua: a sua decisão foi realizada sob pressão, e não imediatamente após o choque com as aves. Ele e seu co-piloto tentaram algumas alternativas, seguiram o manual da aeronave para o caso, antes de finalmente decidirem onde pousar.

Os investigadores, então, concordaram em refazer a simulação, atrasando em 35 segundos a decisão de pousar em um dos dois aeroportos. Com este atraso, os dois pousos falharam miseravelmente. Ou seja, se Sully tivesse decidido pousar em um dos dois aeroportos nas condições reais em que se encontrava, o resultado teria sido trágico.

Aqui termina o “milagre do Rio Hudson”, e começa a vida dos investidores.

Quantas vezes não olhamos pra trás, e dizemos: era óbvio. Era óbvio que, com um governo que considerava a Petrobras uma extensão do Palácio do Planalto, o valor das ações iria despencar. Era óbvio que, após o impeachment de Dilma Rousseff, a bolsa iria dobrar de valor. Era óbvio que, com este novo Banco Central, as taxas de juros iriam despencar. Era óbvio, era óbvio…

Não, não era óbvio. Não na época. Não sob aquelas condições. Se os preços dos ativos estão em um determinado patamar, é porque os riscos do cenário justificam aquele patamar. Tomar uma decisão de investimento com base no cenário é como pousar um avião em pane: você tem algumas informações, mas não todas. E você tem a pressão do momento. Um piloto inexperiente teria tentado o mais óbvio: pousar em um dos dois aeroportos. O piloto com 40 anos de experiência fez o que sua experiência mandou: o menos óbvio.

Olhar para trás e dizer o que teria sido melhor é como sentar em um simulador de voo, e pontificar sobre o que teria feito. Mas um simulador não é a realidade. Não inclui o fator humano.

O mesmo ocorre com esses “programas de investimento” que prometem multiplicar o seu dinheiro com base em simulações do que teria ocorrido no passado se você tivesse tomado esta ou aquela decisão. O problema sempre será o que fazer com o seu dinheiro agora, com as informações de que você dispõe agora. Além disso, esses programas não consideram os problemas de implementação da estratégia: falta de liquidez, impacto nos preços de mercado devido ao seu trading, atraso na implementação. O computador aceita tudo…

Tirei deste episódio duas lições.

Primeiro, não acredite em “engenheiros de obra feita”, aqueles que são especialistas em dizer o que teriam feito em tal e qual ocasião. São pilotos de simulador de voo. Os verdadeiros pilotos são aqueles que pegam um avião em pane e pousam no Rio Hudson. Estes não vendem os seus conselhos. Eles cobram uma taxa para administrar o seu dinheiro. E, já vou avisando: são raros, muito raros. Seus fundos de investimento costumam estar fechados para captação.

Segundo: para nós, pobres mortais, o ideal é tomar decisões de investimento independentemente do cenário econômico. Decisões baseadas em suas necessidades e características pessoais. Eu exploro este ponto no post Tesouro Direto: qual título escolher?. É muito menos emocionante, mas a chance de se espatifar ao tentar pousar o avião dos seus investimentos é muito menor.

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2 Comentários

  1. Frugal Simple disse:

    Se é filme do Clint Eastwood eu assisto sem pestanejar.
    Um dos melhores atores e diretores da história.

  2. Alberto disse:

    Ótimas analogias, como um colega diz “depois da guerra, todo mundo é general”

    abs
    Alberto

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