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Investimentos

Ibovespa: uma boa medida para o desempenho da bolsa?

O Ibovespa talvez seja o indicador financeiro mais antigo do Brasil. Criado em 1968 para servir como termômetro do desempenho da bolsa de São Paulo, o Ibovespa vem sendo ininterruptamente calculado desde então, segundo os mesmos critérios. Em um país em que a instabilidade é a regra, este é com certeza o seu maior mérito. Mas o Ibovespa vem sendo criticado (e não é de hoje) como um termômetro inadequado, viesado, que seria excessivamente concentrado em poucos setores ou ações e, portanto, não serviria para medir adequadamente o desempenho da bolsa.

Antes de entrarmos no mérito da discussão, vale a pena lembrar como o Ibovespa é construído. O Ibovespa é uma carteira teórica de ações, que qualquer um pode comprar. Estas ações são escolhidas dentre as que tem maior liquidez na bolsa, e o seu peso na carteira é proporcional a esta mesma liquidez. Ou seja, quanto mais negociada for uma ação, maior peso terá na carteira do Ibovespa. E esta é uma das críticas: o fato de ser mais negociada não faz uma ação ser mais importante. Até onde eu saiba, o Ibovespa é o único índice no mundo que usa a liquidez como fator de ponderação da sua carteira. É a nossa jabuticaba. Mas não é necessariamente ruim, se considerarmos a liquidez um fator fundamental para permitir que o investidor de fato possa comprar a carteira teórica do Ibovespa.

Bem, continuemos. O Ibovespa é então uma carteira teórica de ações. Como é esta carteira atualmente? Vejamos:

Esta lista contém as 11 principais ações do índice, que são responsáveis por 50% do peso total (veja o índice completo aqui). Ou seja, para onde caminharem estas 11 ações, metade do índice caminhará na mesma direção. Eu disse 11 ações? Na verdade são 9 empresas, dado que Vale e Petrobrás emplacam ações PN e ON nesta lista. Estas duas empresas juntas representam mais de um quarto do índice!

Uma outra forma de ver esta concentração está na distribuição setorial do índice:

Estes 7 setores da economia representam 75% do Ibovespa. Os 3 primeiros representam quase 50%! Ou seja, para onde caminharem petróleo, mineração e bancos, caminhará o índice.

Obviamente, o Ibovespa peca pela sua baixa diversificação. Mas será este um problema de construção do índice, ou é antes simplesmente o reflexo da economia brasileira, representada na bolsa? Sabemos que setores importantes da economia não têm representação adequada na bolsa, como o automobilístico e a agricultura. Mas dentre aqueles setores que contam com empresas listadas em bolsa, esta representação é adequada? A forma de responder a esta questão é verificar o tamanho das empresas. Quanto maior a empresa, mais importante ela é para a economia, e maior representação deveria ter no índice, para que este representasse mais de perto a economia brasileira. O índice que segue este critério (o do tamanho da empresa) é o IBrX.

O IBrX é um índice que pondera as ações em sua carteira em função da sua capitalização de mercado, ou seja, quanto a empresa vale em bolsa. A maior empresa da bolsa é Petrobrás, que valia R$ 324 bilhões em 11/07/11. Em seguida vem a Vale, cujo valor de mercado era de R$ 264 bilhões na mesma data. Veja as maiores empresas listadas na Bovespa na tabela a seguir (você vê a lista completa aqui):

Surpresa! Ou nem tanto: também pelo critério do valor de mercado, 50% da bolsa está concentrada em apenas 9 ações. O mesmo deve acontecer com o IBrX. Vejamos:

Quando olhamos o IBrX, a coisa piora ainda mais: apenas 8 ações (de um total de 100) representam 50% do índice. Na verdade, são apenas 5 empresas: Petrobrás, Vale, Itaú, Bradesco e Ambev. Ou seja, o IBrX é um índice ainda mais concentrado que o Ibovespa! Apenas para dar uma idéia da distorção, no S&P 500, índice americano construído com os mesmos critérios do IBrX, as 10 maiores empresas (Exxon, Apple, Chevron, IBM, Microsoft, GE, Johnson & Johnson, Procter & Gamble, AT&T e JP Morgan) representam apenas 19% do índice.

Concluímos então que, aparentemente, a concentração do Ibovespa não deriva de sua construção, mas de uma distorção da própria bolsa, que está longe de representar a economia brasileira. Em um ranking das 100 principais empresas com atividades no Brasil, em função de seu faturamento (ranking Maiores e Melhores Exame), apenas 42 têm o capital aberto. Vejamos a lista das 20 maiores, e a proporção do faturamento em relação ao grupo das 100 maiores:

Aconteceu uma coisa estranha: Petrobrás, sozinha, representa 15% das vendas das 100 maiores empresas do Brasil. Lembremos que o seu peso no Ibovespa é de aproximadamente 13%. Ou seja, há sim, na economia brasileira, uma concentração anormal em uma única empresa. E esta empresa chama-se Petrobrás. Podemos aqui ficar discutindo durante horas como isso foi acontecer, mas é um fato. Fato isolado, no entanto. Vale, por, exemplo, representa apenas 4% do faturamento das 100 maiores empresas, enquanto seu peso no Ibovespa é de 14,4% e no IBrX é de 15,1%. Ou seja, há claramente uma distorção, certamente causada pela sub-representação de outros setores e empresas no índice.

Então, podemos concluir que, de fato, o Ibovespa carrega distorções (com exceção de Petrobrás, que em si é a maior distorção individual da economia brasileira), em função do pequeno número de empresas listadas em bolsa. Ou seja, a bolsa brasileira não representa fidedignamente a economia brasileira. O investidor, no entanto, não precisa ficar refém do Ibovespa. Existem mais de 300 empresas listadas em bolsa, e ficar preso às maiores e mais líquidas não vem se mostrando uma decisão das mais sábias.

Crédito do thumbnail: Free Digital Photos by mapichai.

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2 Comentários

  1. leandro santos disse:

    Ola Dr. Money, conheci seu blog e venho esmiuçando ele com tantos conhecimentos!!rs
    em referencia a este artigo….investir em fundos de indice ligados ao ibovespa (bova11) ou Ibrx (pibb11) seria um mau negocio? pela falta de tempo que possuo pra conhecer e me aprofundar nas analises das empresas?
    grato desde já

    • Dr. Money disse:

      Leandro, seja bem-vindo! Sim, os fundos de índice são ótimas opções para quem não tem tempo de se aprofundar nas análises das empresas. Fundos de ações são também opções, que podem dar um retorno um pouco melhor do que o índice. Sobre os fundos de índice, recomendo a leitura do blog do Henrique Carvalho, especialista no assunto (http://www.hcinvestimentos.com/).

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