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"Como montar o seu Plano de Investimentos"!

 

Investimentos

Você sabe porque pode perder dinheiro aplicando em renda fixa? Então entenda.

O Brasil é um país que só muito recentemente saiu da hiperinflação. Faz menos de 16 anos… A inflação, como você sabe, desorganiza tudo. Os preços das coisas ficam malucos, e você não consegue planejar nada para o futuro. Todos vivem do hoje para o amanhã. Neste mundo, os investimentos não encontram terreno fértil para se desenvolverem. O resultado é um mundo muito simples: se você não quer risco, vai para a Caderneta de Poupança (para os pobres) ou o Overnight (para os ricos). Se você quer algum risco, então tente a bolsa. Imóveis, telefones e ouro são para aqueles que querem alguma proteção nos chamados “ativos reais”. E o dólar é o “investimento” para aqueles que sabem que, no final, nada vai dar certo mesmo.

Nesta lista, a aplicação em renda fixa (poupança e overnight) é o porto seguro. Todo dia seu dinheiro cresce, um pouquinho que seja. Isso acontece porque se trata de investimentos pós-fixados. Nos investimentos pós-fixados, você não sabe o valor final do investimento. Ele varia com base em uma taxa diária, sempre para cima. E muitos de nós crescemos com essa idéia: a renda fixa só sobe, nunca cai.

Isso é verdade em um ambiente tosco de investimentos, que era o que víviamos na época da hiperinflação. A estabilização monetária abriu espaço para que o governo começasse a emitir títulos prefixados. Isso porque, sendo a inflação mais ou menos previsível, os investidores se sentem confortáveis em fixar uma certa taxa de juros para o futuro. Hoje, um título que vence em 2021 está pagando algo como 12,50% ao ano. Isso significa que os investidores confiam que a inflação não vai passar desse patamar nos próximos 10 anos. Só por isso há demanda por esses títulos, que representam hoje quase 40% da dívida pública.

Para o governo, a grande vantagem na emissão de títulos prefixados é travar um certo custo para a sua dívida, mesmo que seja alto. Assim, a política monetária ganha força. Quando o governo aumenta a taxa de juros, espera que este aumento, entre outros efeitos, diminua o valor atual dos títulos detidos pelos investidores, causando uma diminuição de riqueza. Se os títulos fossem pós-fixados, um aumento de taxa de juros aumentaria a remuneração desses títulos (lembre-se, a remuneração é pós-fixada, ou seja, acompanha o nível atual das taxas de juros). Já os títulos prefixados perdem valor.

– Ooops, como assim, Professor Money? Não é que eles perdem valor, não é mesmo? Eles deixam de ganhar, certo?

Não, eles perdem valor mesmo. Digamos que você compra hoje um título que vai vencer daqui a 2.500 dias úteis (aproximadamente 10 anos), e este título vale R$ 1.000 no vencimento. Para simplificar o raciocínio, digamos que este título não proporciona pagamentos intermediários, somente paga os R$ 1.000 no vencimento. Por quanto você vai comprar este título hoje? Resposta: depende da taxa de juros atual. Digamos que seja de 12,5% ao ano. Sendo assim, o preço do título hoje será calculado trazendo os R$ 1.000 a valor presente:

(Para fazer este cálculo, consideramos que o ano tem 252 dias úteis). Se no dia seguinte a taxa permanecer a mesma, o título se valoriza:

O título, então, se valorizou R$ 0,14. Até aqui, tudo de acordo. Mas digamos que, ao invés de permanecer em 12,5%, ela suba para 12,6% ao ano. Qual o novo valor do título? Vejamos:

Então, um título que valia ontem R$ 310,84, vale hoje R$ 308,26. Uma desvalorização de 0,83% em um único dia. E não se trata de bolsa, mas da “conservadora” renda fixa. Acontece que nem toda renda fixa é conservadora. Somente a pós-fixada, cuja rentabilidade está atrelada ao CDI ou à SELIC. As aplicações prefixadas têm risco, e como!
Uma outra característica dos títulos prefixados é que, quanto maior o prazo para o vencimento, maior o risco. Voltemos ao nosso exemplo. Digamos que você tenha comprado um outro título, agora com 1250 dias úteis de prazo para o vencimento. Portanto, metade do prazo. Hoje o título vale:

Vejamos o que acontece no dia seguinte, quando a taxa sobe para 12,6%:

O título desvalorizou-se, como era de se esperar. Mas dessa vez a desvalorização foi menor: 0,39%. Ou seja, aproximadamente (não exatamente, mas apenas aproximadamente) metade da desvalorização anterior. Portanto, um título com metade do prazo teve desvalorização também pela metade. Isso significa que o risco de desvalorização é diretamente proporcional ao prazo do título. Obviamente, isso também funciona para o outro lado: a valorização é proporcional ao prazo do título.

O mundo da renda fixa é muito mais complexo do que a Caderneta de Poupança, e pode proporcionar perdas horrorosas (e ganhos espetaculares também). Vamos explorar mais este assunto em outros posts.

Crédito do thumbnail: Free Digital Photos by nenetus.

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19 Comentários

  1. Adauto Lima disse:

    Olá! Poderiam por favor mostrar um exemplo do que acontece, não com a rentabilidade, mas com o valor de mercado, por exemplo o IMA-S, sobre o valor de uma LFT em carteira? Por exemplo: desde o final de 2016 a Selic vem caindo. Portanto, a rentabilidade das LFTs vem diminuindo. Mas como se comportou o IMA-S nesse período? Ou seja, como se comportou a curva do valor de mercado das LFTs versus a curva dá queda dá Selic? Com os pré-fixados os exemplos são mais comuns e abundantes, ou seja, sobem os juros e caem o valor de mercado das LTNs e vice-versa. Mas com as LFTs, como seria seu comportamento em termos de valor de mercado durante um período de queda de Selic? Grato, Adauto

    • Professor Money disse:

      Adauto, excelente questão! As LFTs, via de regra, têm um efeito de marcação a mercado muito pequeno, quase imperceptível. Isso porque as LFTs são negociadas à taxa SELIC + prêmio. Este prêmio é muito pequeno, na faixa de 0,01% para cima ou para baixo. Assim, é a variação deste prêmio que faz acontecer o descolamento entre a taxa Selic e o IMA-S. Mas como essa variação do prêmio é muito pequena, a diferença entre a Selic e o IMA-S é, normalmente, imperceptível. Mas é bom você ter notado isso. Em 2002, com a chance do Lula assumir a presidência, este prêmio subiu muito com o receio de calote da dívida, para a casa dos 3% em alguns vencimentos, e as LFTs desvalorizaram bastante, descolando muito da Selic. Então, hoje está tranquilo, mas é bom ter a noção de que existe este risco neste tipo de investimento.

  2. Henrique disse:

    Excelente artigo, auxilia muito na elucidação acerca do assunto,

    Gostaria apenas de indagar que quando tu fala que os títulos pós fixados não possuem risco, de desvalorização, mas a NTN-B que paga a inflação mais 6% aproximadamente, esse título também possui uma forte volatilidade e possibilidades de perda, não!?

    E sobre a desvalorização do título pré, essa perda ocorre se compararmos a preço da curva de juros, e fizermos um cotejo com o mesmo título, porém se carregarmos o título até o vencimento receberemos o retorno esperado correto,

    Apenas estamos perdendo no caso o custo de oportunidade de ganhar mais? Estou correto?

    Abraços,

    • drmoney disse:

      Henrique, excelente ponto. Quando me referi a títulos pós-fixados, queria dizer as LFTs, títulos atrelados à Selic. No caso das NTNs-B (títulos atrelados ao IPCA), existe uma parcela que é prefixada. Por exemplo, se você compra uma NTN-B com rentabilidade de IPCA+6%, este 6% é prefixado. Se amanhã esta taxa sobe para 6,5%, você perde esta diferença, como se fosse um título prefixado.
      E sim, se você segurar o título até o final, você vai ganhar IPCA+6%, que foi a taxa contratada na compra. O que você perde é o custo de oportunidade de comprar o título a IPCA+6,5% no dia seguinte, supondo que a taxa tenha subido como no exemplo acima. Quando o título é marcado a mercado, este custo de oportunidade é contabilizado todo no dia da subida da taxa, por isso o preço do título cai, e, a partir daquele momento, o título passa a render IPCA+6,5%.

  3. carlos fernando disse:

    se puder me enviar mais informaçõpes sobre a renda fixa, agradeço, pois tenho uma previdencia no bradesco em que a tx de administração e´de 3% um absurdo, ja tentei falar com eles mas dizeram que é isto mesmo, então tenho que procurar outra opçao de previdencia se puder me ajudar agradeço.
    ats]

    • drmoney disse:

      Prezado Carlos Fernando, procure opções fora dos grandes bancos. As corretoras XP, Guide e Rico, por exemplo, oferecem uma grande plataforma de produtos com taxas de administração mais razoáveis.

  4. antonio gracino disse:

    DR. MONEY

    GOSTEI MUITO DO SEU TRABALHO, E GOSTARIA DE SABER SE VOCE PODERIA ME AJUDAR, EM RELAÇÃO AO SIMULADOR DO TESOURO PARA NTNB PRINCIPAL, COMO FAÇO PARA INTRODUZIR ESTA VARIÁVEL DE VARIAÇÃO DAS TAXAS DE JUROS E AS CONSEGUENTES VARIAÇÕES NA RENTABILIDADE.

    GRACINO

  5. eduardo disse:

    Por acaso isso significa que para quem aplicou em NTBN-P 2015 teve no período entre 29/02/2011 e 29/02/2012 rentabilidade IPCA do período+taxa 6,63% de fev/11,enquanto o investidor que vendeu seus títulos em 29/02/2012 foi quem obteve rentabilidade de ~20%,visto que,corresponde a valorização ocorrida entre PU compra 29-02-2011=R$1531,04 e PU venda 29-02-2012=R$1846,32? Obrigado e parabéns pelo blog.

  6. eduardo disse:

    Gostaria de um auxílio na interpretação da tabela de rentabilidade mostrado no site do
    Tesouro Nacional com relação ao seguinte:

    Temos NTNB-P 2015 nos últimos 12 mêses 20,42%.Qual(is) mês(es) ou dia(s) ocorreu aumento na taxa para que a rentabilidade acumulada fosse tão alta?Obrigado.

    • Dr. Money disse:

      Eduardo, é justamente o contrário! A taxa caiu e, pelo efeito da marcação a mercado explicado neste artigo, o valor do título subiu, proporcionando esta rentabilidade espetacular. O grosso da queda da taxa aconteceu neste ano mesmo de 2012.
      Abraço.

  7. Marcelo disse:

    Com uma sobra de R$2 a 3 mil por mês e o objetivo de aposentadoria, o melhor seria 50% em Previdência Privada e 50% em NTN-B principal com vencimento em 2035???

    • Dr. Money disse:

      A Previdência Privada tem a vantagem tributária. A escolha dependerá da taxa de administração do PGBL e do tipo de ativo em que a carteira do PGBL investe. Dê uma pesquisada no blog e veja outros posts sobre PGBL.

  8. Marcelo disse:

    Então o Dr. Money considera que visando uma aposentadoria podemos classificar a NTN-B principal com vencimento em 2035 um bom negócio???

  9. Tiago Herculano disse:

    Conseguiu fazer um texto bem técnico de uma forma bem clara.
    Muito me incomodava nos texto sobre renda fixa a defesa que tudo é uma maravilha. Muitas vezes comparando o Tesouro Direto a poupança, só que bem mais rentável. Porém este texto, bem mais detalhado, mostra que a história pode ser bem diferente. Me pareceu muito com especulação os titulos pré-fixados.

    Grato pelo texto e continue colocando conteúdo sempre mais detalhado e técnico sobro o assunto.

    Abraço!

  10. Anonymous disse:

    Parabéns pelo blog.
    Bastante interessante este artigo.
    Ele só demonstra com mais clareza estratégia que julgo ser a mais segura nos investimentos em TD: carregar o título até o vencimento. Se fizer isso, essas discussões sobre valorização ou desvalorização dos títulos perdem sentido.

  11. Dr. Money disse:

    Gustavo, esta sua questão é bastante pertinente, e merece um outro post, que pretendo publicar amanhã. Abraço e obrigado pela idéia.

  12. Gustavo disse:

    Dr. Money, qual a sua opinião sobre fazer um mix de investimento em títulos pré e pós fixados? Será que a perda de um poderia ser compensada pelo ganho do outro?
    Saudações!
    Gustavo FB

  13. Anonymous disse:

    Dr Money: muito interessante e claro o artigo!

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