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Investimentos

Os bancos brasileiros vão quebrar?

Prometi um post para o meu amigo Roberto. Ele tem receio de que os bancos estejam emprestando demais, e não estejam adequadamente preparados para um calote generalizado que estaria logo aí na esquina. Daí a uma crise do sistema bancário e, por consequência, uma quebradeira generalizada, bastaria um passo.

Bem, vou tranquilizar o meu amigo e todos aqueles com a mesma preocupação. Vejamos:

1) Os bancos brasileiros têm uma capitalização invejável. Ou seja, possuem capital próprio para bancar operações de crédito em quantidade muito maior do que seus pares internacionais. A medida disso é o chamado “Índice de Basiléia”. Segundo o acordo de Basiléia, os bancos deveriam ter um índice mínimo de 8%. Ou seja, de cada R$ 100 emprestados, o banco deveria colocar R$ 8 de capital próprio. Esse índice procura fazer com que os bancos não saiam emprestando a torto e a direito, pois há uma limitação de capital. Bem, o Banco Central brasileiro exige um índice ainda maior, de 11%. Sabe qual o índice de Basiléia dos bancos brasileiros? Segundo o último Relatório de Estabilidade Financeira, de abril de 2010, preparado pelo BC (você pode acessá-lo aqui), na página 45, o índice de Basiléia médio do sistema financeiro local é de 18,6%. Ou seja, os bancos brasileiros emprestam muito menos do que poderiam, em comparação com seus pares internacionais.

2) O crédito privado no Brasil ainda tem muito a caminhar para chegar nos níveis dos países mais desenvolvidos. Veja o gráfico a seguir, montado com dados do Banco Mundial:

Note no gráfico que o crédito privado no Brasil representa 54% do PIB, contra mais de 100% em países mais desenvolvidos. Ok, essa orgia de crédito talvez não tenha feito tão bem para essas economias. Mas ainda não estamos lá, não é mesmo?

3) Segundo dados do Banco Central de janeiro/2011, do total do crédito privado (que já não é muito grande em relação ao PIB), apenas 9% refere-se a crédito imobiliário. Veja o gráfico a seguir:

Os mais pessimistas poderão dizer: “Tá vendo? O crédito para as pessoas físicas representa 1/3 de todo o crédito no Brasil! As famílias estão muito endividadas, vão quebrar e levar os bancos junto!!!

Bem, isso nos leva ao ponto 4 a seguir.

4) A Federação do Comércio divulgou no dia 9 último a sua pesquisa mensal do comércio no estado de São Paulo (aqui). Alguns dados são bem interessantes. Por exemplo:

– As famílias com algum tipo de dívida representam 54% do total. Ou seja, quase metade das famílias em São Paulo não tem nenhum tipo de dívida.

– Dessas famílias endividadas, apenas 15% está com contas atrasadas.

– Ainda em relação às famílias endividadas, apenas 34% têm dívidas com mais de um ano para o vencimento. Aqui encontra-se certamente a dívida imobiliária.

– E agora o dado mais importante: a maior parte (61%) compromete entre 11% e 50% de sua renda com o pagamento de contas. Não é um número lá muito confortável, mas também não é nenhum desastre.

Enfim, estamos longe de um quadro de concessão descontrolada de crédito, como vimos nos EUA. Ainda mais no setor imobiliário, onde o crédito ainda está engatinhando. Por isso, não deve ser daí que surgirá o freio para a expansão imobiliária ora em curso. Para que isso aconteça, seria necessário, por exemplo, uma redução significativa da atividade econômica, com o consequente aumento do desemprego. Ou, a volta de uma inflação fora do controle. Nem um e nem o outro parecem ser o cenário para os próximos anos.

Crédito do thumbnail: Free Digital Photos by num_skyman.

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3 Comentários

  1. Dr. Money disse:

    Dependendo do tamanho da quebradeira (se for muito maior que a prevista pelos bancos), os bancos poderiam ter problemas, principalmente os menores. De qualquer forma, se a inadimplência aumentar, os bancos serão mais restritivos na concessão de crédito, o que afeta o crescimento da economia e, por tabela, aqueles que nunca tomaram um empréstimo na vida. Todos somos afetados, em maior ou menor grau.

  2. Roberto Pina Rizzo disse:

    Penso que quem vai quebrar é a classe média, não os bancos, se a economia (que é cíclica) mudar de rumo. Então, aquele apartamento comprado em 120 meses e o carro comprado em 60 vão virar um problema.

  3. EvertonRic disse:

    Dr. Money !!
    Os números e porcentagens apresentadas neste texto (pesquisa), são de grande importania para toda a população em geral.
    Para que todos vejam quanto estão individados e quantos estão de "bem com a vida."
    Em que grupo vc esta amigo leitor?
    Eu estou no 0x0 não devo nada, e tambem não temo nada e niguém…rs rs rssss
    Parabéns pela pesquisa
    Abraços

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