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Investimentos

Cruzeiro do Sul: crônica de uma fraude anunciada

Mais um caso de fraude. Desta vez, envolvendo dois Fundos de Investimento em Participações (FIPs) do Banco Cruzeiro do Sul (reportagem aqui).

Segundo a Instrução CVM 391, os FIPs são:

Fundos constituídos sob a forma de condomínio fechado, sendo uma comunhão de recursos destinados à aquisição de ações, debêntures, bônus de subscrição, ou outros títulos e valores mobiliários conversíveis ou permutáveis em ações de emissão de companhias, abertas ou fechadas, participando do processo decisório da companhia investida, com efetiva influência na definição de sua política estratégica e na sua gestão, notadamente através da indicação de membros do Conselho de Administração.

Como se vê, trata-se de um investimento sofisticado, que deveria ser vendido apenas para investidores especializados. O que se viu, no entanto, foi algo bem diverso. Segundo esta outra reportagem (aqui), alguns dos investidores deste FIP são pessoas que se deixaram levar pela confiança no gerente do banco. Gerente que, por sua vez, levava uma comissão bastante gorda na venda do produto.

Dava para desconfiar? Até dava, mas só se você fosse um especialista. A totalidade dos ativos do fundo estavam investidos em debêntures de uma única empresa, chamada Patrimonial Maragato S/A. Esta empresa, de propriedade dos próprios acionistas do Banco Cruzeiro do Sul (o que já deveria levantar suspeitas) tem o seguinte objeto social (retirado do Diário Oficial do Estado de São Paulo, reproduzido no site JusBrasil):

(i) apoio, planejamento, organização e assessoramento de empresas em geral; (ii) intermediação, agenciamento e realização de negócios e empreendimentos econômicos, nacionais e internacionais; (iii) estudos de prospecção de mercados e clientes; (iv) levantamento de recursos para empreendimentos econômicos, em geral; (v) demais serviços correlatos, exceto atividades que dependam da inscrição em conselhos de classe ou órgãos semelhantes; (vi) administração de bens próprios; e (vii) participação em outras sociedades como sócia ou acionista, no Brasil e no Exterior.

Lendo esta definição, você consegue saber o que esta empresa faz? Não? Nem eu. Como então confiar o seu dinheiro a uma empresa que você sequer sabe o que faz? Como esperar ter o seu dinheiro de volta?

Ok, faz parte do risco do investimento. Estes investidores deveriam saber que para todo retorno há um risco associado. Ao que consta, o fundo prometia rendimento de 110% do CDI, sem volatilidade. Ou seja, sem risco de mercado. Havia “apenas” o risco de crédito. Como esse risco não aparece no dia a dia, parece que não existe. Mas ele está lá, pronto para dar o bote. Foi o que aconteceu com os FIPs do Cruzeiro do Sul.

Quantas dessas tragédias anunciadas estarão por aí? Difícil saber. Mas algumas atitudes podem ser úteis para evitar cair em arapucas desse tipo:

1. Desconfie de promessa de rentabilidade sem risco. Isso não existe.

2. Desconfie de qualquer promessa de rentabilidade. Ninguém consegue garantir rentabilidade.

3. Procure conhecer a composição do Fundo onde você está investindo. “Patrimonial Maragato” certamente chamaria a sua atenção, mesmo você sendo um leigo.

4. Não aplique cegamente na primeira dica do gerente do banco. Os seus interesses não são os interesses dele.

5. Não se deixe levar pela amizade quando se trata de dinheiro. “Amigos, amigos, negócios à parte”.

6. Não caia na tentação de colocar todo o seu dinheiro em um único tipo de investimento, por mais atraente que pareça.

É isso aí. O seu dinheiro é coisa séria. Trate-o seriamente.

Crédito do thumbnail: Free Digital Photos by Sira Anamwong

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4 Comentários

  1. Allan Ferreira disse:

    Estes pequenos bancos estão correndo grandes riscos de desaparecer do mapa. Taxas de juros mais baixas estão forçando os bancos a campear os “rentistas” de todas as formas. E aí surgem os produtos mais sofisticados visando a “tapear” os investidores.
    Nos últimos 10 anos, assim como a classe de empregadas domésticas está entrando em extinção, também está se extinguindo os rentistas (brasileiros que viviam apenas de renda das aplicações bancárias). Hoje quem quiser rentabilidade maio vai ter que suar a camisa. Muitos rentistas estão investindo seu dinheiro em atividades produtivas, em imóveis, em empresas, … O medo é que esta fuga de investidores dos bancos contamine a saúde dos mesmos. Só o tempo dirá…

  2. João disse:

    Olá Dr Money,

    O que vc tem a dizer sobre o Sofisa Direto, que promete 105% do CDI?

    Também é de se desconfiar?

    Abraços,
    João

    • bRENO disse:

      Tirando Itaú, Bradesco e bancos públicos, investiria em pouquíssimos bancos privados no montante acima de R$ 70 mil, que é a garantia do FGC.

      O Sofisa é um banco fraco, mas não é dos piores.
      Se eu colocaria mais de R$ 70 mil lá? Não.

      Lembrando que investimento em fundos e etc não considero risco do banco (tendo lendo o regulamento e olhado a carteira disponível da CVM, para garantir que o fundo, por exemplo, não investe em CDBs do próprio banco).

  3. diMarcinho disse:

    Olá, Dr. Money!

    É por isso que Warren Buffett disseca os balanços e informações das empresas. Pra quem ESTUDA a empresa, sempre é possível identificar, no mínimo, coisas suspeitas.

    Outros cases interessantes são os (não)pagamentos de impostos de renda…

    []s!

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